O Crédito Universitário


Este é um artigo mostrando um estudo que traça o perfil de quem pega crédito universitário.
A renda média do estudante de graduação brasileiro que trabalha é de R$ 977,00 - apenas R$ 269,53 além da mensalidade média dos cursos universitários freqüentados por alunos com este perfil. A diferença explicita a dificuldade de boa fatia dos estudantes em pagar seus estudos integralmente e arcar com outras despesas, como alimentação, livros, material escolar e transporte.O dado foi apresentado no II Fórum de Crédito Universitário, que reuniu especialistas em educação, gestão educacional e crédito universitário para discutir as tendências do mercado para financiamento universitário. O encontro foi organizado pela Ideal Invest, empresa independente especializada em ofertar soluções de crédito exclusivamente para o mercado educacional.O perfil do estudante interessado em crédito universitário foi traçado a partir de levantamento realizado pela companhia junto a mais de 11 mil alunos que pleitearam, a partir de setembro de 2006, o crédito universitário PRAVALER -programa criado pela Ideal Invest que permite a estudantes de instituições de ensino cadastradas financiar seus estudos em até o dobro do tempo de dduração do curso.O levantamento indica que a idade média dos alunos que demandam crédito universitário é de 24 anos e que a maior parte dos estudantes que buscam financiamento são mulheres: elas formam 59,4% da base analisada ante 40,6%, alunos do sexo masculino. Do total pesquisado, cerca de 60% trabalha e a maior parcela (76%) dos estudantes mora na mesma cidade em que seus pais habitam.
Outro dado que a pesquisa explicita é o crescimento dos cursos de curta duração como opção de graduação. Dos 11 mil pesquisados, 21% estão matriculados em cursos do tipo - em 2003, a modalidade era alvo do interesse de apenas 3% dos alunos.A pesquisa indica também que o estudante de graduação que conta com crédito universitário para financiar seus estudos opta por cursos cujas mensalidades são 18% maiores que a média das mensalidades da faculdade.
Segundo a pesquisa, o volume de estudantes de graduação matriculados em cursos com mensalidades acima de R$ 600 é de 29%. Entre os que adotam o crédito universitário é de 55%.
Investimento e retornoConvidado a abrir o fórum, o economista Claudio Haddad, diretor-presidente do Ibmec São Paulo, destacou que o investimento em educação superior oferece retorno excepcional para quem cursa graduação, na forma de remuneração. "O retorno é de cerca de 15% a.a. em média", diz. "E vale, sobretudo, para quem possui entre 16 e 18 anos de estudo, ou seja, fez pós-graduação".
A perspectiva de maiores ganhos depois da graduação é um dos fatores que colabora para que o Brasil reúna hoje um público estimado de 4,5 milhões de pessoas que desejam cursar graduação, mas não o fazem por falta de recursos."O mercado de crédito universitário no Brasil ainda é incipiente, existem poucos agentes, muitas barreiras de entrada e poucas estatísticas disponíveis, mas trata-se de um mercado com enorme potencial", destacou o sócio da Gávea Investimentos, Piero Minardi.
"Dos seis grandes segmentos de crédito - empresa, veículo, cartão de crédito, imóveis, pessoal e educação - este último ainda é o menos atendido, apesar de um bom negócio, pois ajuda as pessoas a crescerem e a gerar renda", analisa Mizne.
EUA
Sério Abramovich, diretor de desenvolvimento de negócios internacionais de uma das maiores universidades norte-americanas, a DeVry University, informou que o volume anual de crédito universitário movimentado nos EUA é de US$ 102 bilhões - dos quais US$ 17 bilhões estão sob responsabilidade da iniciativa privada. "Os EUA já têm uma experiência de 50 anos com essa modalidade de financiamento. Muitos programas de crédito federal são garantidos pelo governo, mas administrados por instituições financeiras privadas", afirma Abramovich.
"Em mercados como o Brasil, há uma menor taxa de penetração dessa modalidade devido à desconfiança da população em relação às instituições de crédito e à falta de experiência com outros tipos de crédito. Além disso, o brasileiro ainda fica inseguro se vai conseguir pagar ou não a dívida depois de formado", completa.
A despeito disso, a perspectiva é de crescimento para o mercado brasileiro de ensino superior. Para Oliver Mizne, haverá um novo ciclo de crescimento entre as instituições do setor entre 2008 e 2011, apoiado pela maior oferta de crédito universitário. "Há boa capacidade instalada entre as faculdades e universidades brasileiras e a gestão tem sido profissionalizada gradativamente", avalia, "com funding disponível este mercado tende a crescer".

Natércio Junior - ADM

Refêrencia Bibliográfica: www.administradores.com.br